
A Colônia de Santa Cruz foi uma colônia governamental destinada a colonos alemães e estabelecida em 1849. Para um breve histórico da evolução geográfica da colônia veja esta página.
Esta postagem detalha os mapas das picadas coloniais ao redor de Santa Cruz. Há uma outra página explicando os mapas da sede da colônia.
Mapas digitalizados
- O mapa RS – Santa Cruz – 1859 é o mais antigo que está no site. Ele não é muito fiel e está no site mais por seu interesse histórico. As picadas encontram-se identificadas e os lotes numerados. É de 1859, portanto dez anos depois do estabelecimento da colônia.
Ele foi confeccionado por João Martinho Buff, diretor da colônia entre 1850 e 1859. Nele aparecem as primeiras picadas criadas. Parte delas aparece de forma diversa em mapas posteriores, o que indica que Buff incluiu não somente os lotes que já tinha demarcado, mas também aqueles que estavam projetados. Este mapa me foi passado por Otavio Licht.
Marcadores – as picadas e alguns poucos lotes próximos à sede da colônia estão marcados (marcação dos lotes com pequenos deslocamentos por ter sido gerada automaticamente) . - Em 1881, foi confeccionado o mapa RS – Santa Cruz – 1881 por Carlos Trein Filho, personagem importante da história de Santa Cruz, pois, além de agrimensor, ocupou vários cargos, entre eles, os de Diretor da colônia e o de Vereador. Ao contrário do mapa de Buff, este mapa é bem fiel à realidade e mostra picadas e lotes efetivamente existentes. A numeração de lotes provavelmente corresponde aos registros de prazos coloniais feitos pelo próprio Carlos Trein para toda região na mesma época. Estes registros encontram-se no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e estão disponíveis no repositório Familysearch (na página de histórico, incluí os links para os respectivos cadastros).
Por alguma razão que não pude determinar, algumas picadas próximas à sede da colônia, como as picadas Juca Rodrigues e João Alves, não constam desse mapa, mesmo tendo constando no mapa de 1859 e em mapas posteriores. Talvez tenham sido colônias particulares, fora da autoridade do Diretor da Colônia que confeccionou o mapa.
Este mapa igualmente me foi passado por Otavio Licht.
Marcadores – as picadas e alguns poucos lotes próximos à sede da colônia estão marcados (marcação dos lotes com pequenos deslocamentos por ter sido gerada automaticamente) . - Um mapa muito bonito é o mapa RS – Santa Cruz – Rio Pardinho – 1870, que estava encadernado em um livro comemorativo do centenário da Picada Rio Pardinho em 1952 (vide bibliografia no histórico de Santa Cruz). Além de ser bem fiel à realidade, o mapa contém não somente os números dos lotes coloniais, mas também os nomes dos respectivos proprietários em 1870. O mapa propriamente dito não está datado e provavelmente foi desenhado usando os dados de 1870.
Marcadores – apenas picadas estão marcadas. - Outro mapa que não está datado é o mapa RS – Santa Cruz – Provinzial Kolonie Santa Cruz. Obtive este mapa do colega Bruno Kadletz, de Santa Catarina. Trata-se de uma mapa em Alemão, que mostra a Colônia de Santa Cruz e as colônias ao seu redor, como Candelária, Rincão del Rey e Monte Alverne. Além de ser interessante por mostrar alguns nomes das picadas também em Alemão, é o único dos mapas que obtive que indica a localização de algumas delas. Deve ser do final do Século 19, pois as picadas ao redor da cidade já estão estabelecidas. Não é muito preciso e, na região ao redor de Monte Alverne, parece conter incorreções.
Marcadores – apenas picadas estão marcadas. - Em 1922, quando o município tinha sua extensão máxima, foi confeccionado o grande mapa RS – Santa Cruz – 1922. Este mapa mostra a divisão em distritos, em picadas e em lotes. Infelizmente, a cópia que obtive é de baixa resolução, o que prejudica uma aproximação maior. Com isso, nem sempre é possível ler os números dos lotes.
Marcadores – as picadas e alguns poucos lotes próximos à sede da colônia estão marcados (marcação dos lotes com pequenos deslocamentos por ter sido gerada automaticamente) . - Os mapas RS – Santa Cruz – Três Léguas – 1938 e RS – Santa Cruz – Três Léguas – 1936 foram feitos por José Adriano Flesch (ver postagem sobre este autor) são de 1936 e 1938 e contêm números de lotes bem como alguns nomes de proprietários. A correspondência com a realidade é boa.
Cobrem a região denominada Três Léguas, que ficava no extremo Norte do município de Santa Cruz. Na época, a região era parte do IV Distrito deste município. Na atualidade, esta região situa-se entre os municípios de Gramado Xavier e Boqueirão do Leão.
Marcadores – os mapas não contêm marcadores.
Mapa vetorizado – Colônia de Santa Cruz
O site contém um mapa vetorizado da Colônia de Santa Cruz, de autoria de Otavio Boni Licht. Em grande parte, este mapa baseia-se no mapa digitalizado de 1859. Conforme comentado acima, o mapa de 1859 aparentemente contém picadas que estavam projetadas e que depois dessa data foram implantadas de outra forma. Como este parece ter sido o principal mapa utilizado por Otavio para construir o mapa vetorizado, os problemas do mapa de 1859 refletem-se no mapa vetorizado. Além disso, o mapa está um pouco deslocado em relação à realidade.
Na construção deste mapa vetorizado, Otavio Licht usou as seguintes fontes:
- Planta da Colônia de Santa Cruz, com as datas de terra confinantes levantada por João Martinho Buff Director da dita Colônia. Reduzida por Henrique Meyer. (este mapa de 1859 foi a principal fonte usada para criação do mapa vetorizado – (RS – Santa Cruz – 1859)
- Mapa da Colônia de Santa Cruz. Escala 1:40.000. 1881. Planta nº 947. Cópia de Israel Azambuja. Directoria de Obras Públicas. Porto Alegre. 6/12/1890 (RS – Santa Cruz – 1881)
- Planta cadastral parcial da Colônia Santa Cruz. 1:40.000, sem autor, sem data. (trata-se de um mapa da colônia de Rio Pardinho – RS – Santa Cruz – Rio Pardinho – 1870)
- Carlos Schwerin. Planta da Colônia Rio Pardense. Medida e demarcada pelo Agrimensor Carlos Schwerin. 1864-1865 augmentada 1873-1875. Núcleo colonial de Francisco Ant. Borges.
Proprietários
Apenas para a picada Entrada de Rio Pardinho, há proprietários levantados. Estes podem ser vistos no mapa de 1881 e no mapa vetorizado. A relação dos proprietários provém do Códice SA151 do Arquivo Histórico. Como este códice e o mapa de 1881 foram produzidos pelo mesmo autor (Carlos Trein Filho), há uma perfeita correspondência entre eles.
Para as demais picadas, há um pequeno número de proprietários, principalmente de lotes próximos à Vila de Santa Cruz todos levantados por Otavio Licht. Como fonte para esses proprietários, Otavio listou o códice F1220 do Arquivo Histórico do RS. Não consegui localizar este códice. Talvez seja o F1221 – Registro de Títulos de Posse de Prazos Coloniais – Diretoria Geral da Fazenda Provincial – Santa Cruz – 1859-1860.